segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Com os 55 mil alunos da Uniban, a Anhanguera vai ultrapassar a marca de 400 mil alunos, tornando-se o 2º maior grupo de ensino superior do mundo



A Anhanguera Educacional, maior grupo privado de educação superior da América Latina, fechou na sexta-feira à noite a compra da Uniban, por R$ 510 milhões, segundo fontes de mercado. Trata-se da maior aquisição da história do setor no País. A operação deve ser comunicada ao mercado amanhã.

Com os 55 mil alunos da Uniban, a Anhanguera ultrapassa a marca de 400 mil alunos, tornando-se o segundo maior grupo de ensino superior do mundo, atrás apenas da americana Apollo Group, dona da Universidade de Phoenix. A marca de 400 mil alunos estava prevista para ser alcançada no fim de 2012.

A nova instituição terá cerca de 10 mil professores. Controlada pelo Pátria Investimentos, a Anhanguera está comprando a operação de educação da Uniban por R$ 380 milhões e mais 13 imóveis do grupo por R$ 130 milhões. A Uniban tem 13 câmpus, sendo nove em São Paulo, dois no Paraná e dois em Santa Catarina. Imóveis que pertenciam à Uniban mas não eram usados para fins educacionais não foram incluídos no negócio.

"A compra foi divulgada oficialmente no sábado somente para os diretores, coordenadores de curso e coordenadores de câmpus, mas o boato já corre na instituição há mais de um mês", afirmou um funcionário da Uniban que não quis se identificar, acrescentando que havia um clima de apreensão entre professores e staff administrativo.

Ciclo. A compra da Uniban encerra o segundo ciclo de aquisições da Anhanguera, que reforçou seu caixa em dezembro de 2010 com uma emissão de R$ 844 milhões em ações. Nos últimos nove meses, a empresa adquiriu instituições de ensino que atendem 100 mil alunos.

 O número inclui a aquisição, em abril deste ano, da Faculdade Anchieta e da Faculdade de Tecnologia Anchieta, de São Bernardo, por R$ 74,8 milhões. No ciclo anterior de aquisições, a empresa havia levado dois anos e meio para comprar instituições com 150 mil alunos.

 Agora, a prioridade da Anhanguera é consolidar as operações compradas. Os câmpus da Anhanguera, com a última aquisição, passam a ter capacidade para 700 mil alunos. O grupo tem como objetivo alcançar, entre 2014 e 2015, a marca de 1 milhão de alunos, incluindo os atendidos por sistema de educação a distância.

Isso elevaria a participação da empresa no mercado de educação superior brasileiro de 8% para 15% em alunos atendidos. A compra da Uniban faz da Anhanguera líder na Grande São Paulo, com 110 mil alunos.

Mudança. A Uniban adotará os modelos acadêmicos da Anhanguera, será incorporada nos programas de ensino a distância e oferecerá aos alunos mais acesso a financiamento, segundo fontes do mercado.

Apesar de a Anhanguera estar optando pelo crescimento orgânico depois dessa aquisição, o mercado brasileiro de educação superior deve continuar a se consolidar.

O potencial de expansão do mercado é alto, por causa desse movimento de consolidação, das tecnologias de educação a distância e da expansão do crédito estudantil. Nos Estados Unidos, 80% dos alunos universitários têm acesso a crédito, enquanto no Brasil essa fatia ainda está em 5%.
 

Professores se recusam a voltar às aulas em Minas

por Denise Motta, iG Minas Gerais | 19/09/2011

Mesmo com uma decisão judicial determinando que os professores da rede pública de Minas Gerais retomem as aulas sob pena de multa, a greve no sistema público de ensino no Estado continua nesta segunda-feira (19). Na última sexta-feira (16), quando foi divulgada decisão judicial pela volta às aulas, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUte-MG) já havia anunciado que a greve, há mais de 100 dias, continuaria nesta semana.

Os professores mineiros reivindicam o pagamento do piso nacional, que é de R$ 1.187 para 40 horas semanais. Hoje, o governo argumenta que paga mais do que esse valor. A diferença é que o governo conta como salário benefícios como bônus por tempo de carreira, por exemplo. Os grevistas dizem que bônus não é salário. |

Pela decisão da Justiça Mineira, caso os professores continuem em greve deverão pagar R$ 20 mil de multa no primeiro dia de descumprimento, no caso, hoje. Se persistirem, pagam R$ 30 mil amanhã, e pelos dias seguintes, respectivamente, R$ 40 mil e R$ 50 mil. A multa total é limitada em R$ 600 mil.

Em nota, o SindUte afirmou que, ao contrário do que vem informando o governo em anúncios publicitários, a greve não foi considerada ilegal. O sindicato destaca que a decisão não entra no mérito da legalidade ou não do movimento, apenas determina o retorno às aulas. O SindUte também informa que recorre da decisão judicial e espera, com isso, manter a paralisação dentro dos limites legais.

Nesta segunda, o governo mineiro anunciou a contratação de 14 mil professores para atuar na educação básica, com remuneração inicial de R$ 1.320 para uma jornada de 24 horas por semana. O prazo para inscrições vai de 10 horas do dia 20 de setembro às 14 horas do dia 19 de outubro. O edital com mais detalhes pode ser acessado no www.educacao.mg.gov.br

Instituto de Estudos Avançados da USP‏

Estimados amigos/as


O instituto de estudos avançados da USP, editou a sua revista nr. 72 de maio/agosto 2011,dedicada para o tema de cuba, em seus mais abrangentes aspectos.
Veja abaixo a forma de acessar os textos. Cliquem aonde diz texto em portugues.
Bom estudo
abs

Atividade gratuita para famílias no MAC USP Ibirapuera

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A ANPUH APÓIA A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE HISTORIADOR

O título deste texto pode soar um tanto estranho para muitos colegas que militam há tempos em nossa associação. Afinal, uma de suas bandeiras históricas mais conhecidas é, justamente, a luta pela regulamentação de nossa profissão. Como assim, podem eles perguntar, só agora a ANPUH passou a apoiar oficialmente essa causa?
De fato, em muitos momentos, a ANPUH lutou pela regulamentação, inclusive participando da redação de projetos de lei e pressionando parlamentares. Porém, tal atuação dependia da vontade e da postura dos dirigentes da associação, pois não havia nenhum documento oficial que afirmasse o comprometimento da entidade com essa luta. Tanto que, em determinadas gestões, quando os membros da diretoria entendiam, baseados em respeitáveis argumentos, cabe dizer, que a regulamentação não era apropriada, o empenho pela causa esmorecia e as ações por sua implementação não eram levadas adiante.
Porém, na nossa última Assembléia Geral, realizada no mês passado durante o XXVI Simpósio Nacional de História, o comprometimento com a regulamentação, por ampla maioria de votos, tornou-se oficial, consta em ata, e deve ser uma tarefa da entidade independente de quem sejam os seus dirigentes.
Respeitamos os posicionamentos contrários. Muitos colegas alegam que a regulamentação profissional contribui para uma formatação corporativa da sociedade, cara a regimes autoritários; outros, que ela estimula a competição e exclui olhares “não profissionais” que muito podem contribuir para o conhecimento histórico. Essas, e outras, são argumentações válidas e respeitáveis. Mas, apesar disso, a ANPUH apóia a regulamentação por reconhecer que há competências específicas do profissional de História, adquiridas ao longo de anos de formação, que não podem ser substituídas pela ação de outros profissionais. Além disso, cada vez mais atuamos em um campo em expansão, aquele ligado à memória e ao patrimônio, onde atuam também outros profissionais que têm profissão regulamentada, como museólogos, arquivistas, arquitetos, turismólogos, etc., o que, na prática, implica seguidamente a exclusão do “olhar do historiador”. Por exemplo, um museu histórico deve obrigatoriamente contar em seus quadros com um museólogo, mas não com um historiador, o mesmo valendo para um arquivo histórico em relação aos arquivistas. Só para citar um caso concreto: recentemente houve um concurso público para o cargo de historiador em uma instituição oficial ligada ao patrimônio; porém, para ocupá-lo, não era necessário ter formação na área de História, seja de graduação, seja de pós-graduação. Não queremos estimular a competição, mas sim afirmar que, nas equipes interdisciplinares e colaborativas que devem atuar nessas instituições, o papel do historiador é imprescindível. Da mesma forma, a regulamentação parece-nos importante por evidenciar que tanto o ensino de história quanto a pesquisa histórica devem ser praticados por profissionais específicos, os quais, embora possam ter feito partes de sua formação em outras áreas (e os projetos que tramitam no Congresso são suficientemente abertos para abarcar esses casos), desenvolveram habilidades específicas, que não podem ser facilmente improvisadas por não historiadores.
Obviamente, a regulamentação da profissão não pode ser encarada como a solução de todos os nossos problemas. Precisamos nos defrontar com uma série de desafios teóricos, metodológicos, técnicos e éticos para delinearmos com mais precisão o nosso espaço. Mas sem dúvida é um passo importante para a profissionalização. Por isso, convidamos a todos os colegas a se engajaram nessa luta. Dia 19 de Agosto é o Dia do Historiador. Conhecemos bem a eficácia simbólica das comemorações. Por isso, como no ano passado, queremos transformá-la em DIA DE LUTA PELA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO! Temos um projeto tramitando no Senado, o PLS 368 de 2009, já aprovado em várias comissões, e outro na Câmara, o PL 3759/2004, atualmente aguardando parecer na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. Pressionem os seus senadores e deputados para aprová-los. Só a nossa ação política coletiva vai permitir que a nossa demanda seja efetivada!
Para saber mais sobre a regulamentação e os projetos, consulte no site na ANPUH o link “Profissionalização”.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Resenha Critica Evolução Política Brasil e Outros Estudos Por Caio Prado Junior

Resenha Critica do texto do autor caio Prado Junior
Trabalho feito para nota do Módulo de Tendencias da Historiografia Brasileira - PUC/SP



A obra Evolução Política do Brasil e outros Estudos do autor Caio Prado Junior, é como o próprio autor diz, um ensaio sobre a História do Brasil. Logo de inicio ele deixa claro que se refere à interpretação materialista da História e que não tem a intenção de fazer uma analise profunda sobre o tema. Prado cita Oliveira Viana e, diz que este foi o primeiro a tentar uma analise sistemática e seria da constituição econômica e social do país.

Já na Segunda parte do texto Prado dará ênfase ao período de Menoridade e diz que os historiadores não deram e não dão tanta importância para este período. Mas não é apenas pelo seu fundo crítico que esta obra se destaca é também por ser consagrada como inovadora.

A maneira que Caio Prado encara os fatos modifica de forma absurda a dimensão dos mesmos, e o exemplo mais evidente disso é o fato do autor afirmar ainda em seu prefácio, que o movimento de Independência do Brasil se constituiu numa revolução, que tem como período preparatório de 1808 (com a chegada de D. João VI no Brasil) a 1822 (Proclamação da Independência), e que se consolida em 7 de abril de 1831.

Ao analisarmos o primeiro capitulo da obra “A Colônia”, percebemos que para justificar a ideia de evolução que está contida não apenas no título em toda sua obra Prado começa fazendo uma analise do período, dividindo–o em duas partes: a primeira parte vai até a metade do século XVII e a segunda se inicia nessa metade e vai até 1808 com a chegada de D. João VI para o Brasil.

Caio Prado em seu primeiro momento faz uma analise histórica do período colonial e para isso volta as raízes da história de Portugal mostrando rapidamente como se deu a ascensão da burguesia mercantil e como, a partir dela, se iniciou o movimento das conquistas. Em meio a este período , o descobrimento do Brasil em 1500 não parece causar alvoroço nos portugueses, que na época estavam mais interessados em suas possessões asiáticas e também africanas, percebemos que, durante os primeiros trinta anos após a sua descoberta o Brasil não passa de uma imensidão territorial cujo o único interesse em terras brasileiras era o Pau-Brasil. Mas, como o início do século XVI é marcado pela disputa das grandes potências européias pelo poder do descoberto Novo Mundo, Portugal resolveu se precaver, e voltar os olhos para o Brasil. Em 1549 o Governo Geral é instituído e a Coroa portuguesa adota o regime das capitanias hereditárias que diferentemente de muitos estudiosos da sua época, Caio Prado nega o cunho feudal. Não vingando tal regime, Portugal resolve resgatar as capitanias e doá-las para quem tivesse o cabedal suficiente.

Caio Prado vai se atentar para a importância de se compreender o sistema de distribuição de terras, pois é a partir dele que se constrói a sociedade colonial brasileira. Explica como funcionava o sistema de doações das sesmarias e como tal distribuição acarretou na formação dos latifúndios brasileiros, deixando claro o caráter mercantil da colonização.

Dessa forma as grandes propriedades é que irão predominar, necessitando de uma mão de obra em larga escala, daí o inicio do sistema escravista dos indígenas em primeiro momento, e africana. Mas não foi apenas o sistema de distribuição o responsável pela formação dos latifúndios; parecia que tudo conspirava contra a pequena propriedade. Em detrimento da história norte americana no Brasil os pequenos proprietários não tinham nenhum incentivo por parte da metrópole que conseguia ser opressiva até mesmo na legislação. Sem pequena propriedade, sem nenhuma forma de comercialização ou industrialização sistemática, os latifúndios vão constituir a unidade econômica básica da colônia, e como afirma o próprio autor, a "sociedade colonial brasileira é o reflexo fiel da sua base material: a economia agrária", ou seja: a sociedade vai se moldar de acordo com a economia, e dessa forma se torna óbvio pensar que o senhor rural – o senhor dos latifúndios - irá monopolizar as riquezas e consequentemente terá prestígio e domínio sobre a massa popular composta por poucos homens livres, índios, mestiços e negros escravizados. É nesse momento em que Prado afirma que a sociedade se molda à economia fica explícita a sua concepção marxista de ver a história, onde a economia é o que define o restante e que originará a luta de classes.

Logo após definir os senhores rurais como o topo da pirâmide social, Caio Prado se atem à questão indígena, condenando ferrenhamente as entradas bandeirantes, chamando-as de caçada do homem pelo homem, e mostrando como a Companhia de Jesus foi importante para frear tal movimento, mesmo se constituindo na vanguarda que preparou a domesticação dos índios.

Ele fala um pouco sobre a escravidão africana e mostra apenas que os escravos eram tratados como bestas pelos seus senhores; esse assunto que normalmente serve para longos debates recebe de Caio Prado nada mais do que um parágrafo, e mesmo assim, um parágrafo de constatação, o que deixa confuso para o leitor qual é a real importância dada pelo autor ao tema: ou ele considera a escravidão como algo não muito importante, ou ele trata da questão como se fosse algo diferente da nossa história, como se a escravidão fosse óbvia.

Sobre os agregados: homens livres e pobres que prestam serviços para os grandes proprietários e finaliza a sua análise afirmando que a sociedade colonial era algo extremamente simples, o que parece mostrar que Caio Prado tem a ideia de uma sociedade colonial estratificada, onde não havia conflitos – e tal ideia me parece um tanto quanto contraditória com a luta de classes proposta por Marx; pois a impressão que se tem é de cada elemento sabia o seu lugar e a sua função dentro da sociedade e que não havia nenhuma forma de conflito pertinente entre esses status sociais, fato que atualmente sabemos não ser verdade.

A determinação que a economia exerce na sociedade parece também transparecer na forma como a política vai se organizar nesse momento. Segundo o autor, a autoridade vai ser exercer de forma rudimentar. Graças a certa falta de interesse da Metrópole, que acaba deixando a cargo dos colonos a organização política, vão se formar as Câmaras Municipais que constituem a verdadeira administração da colônia, e obviamente, serão administradas pelos senhores rurais, tidos como a "nobreza" colonial, ou os homens bons. Dessa forma, o Estado colonial até o século XVII apresenta-se como um instrumento de classe desses proprietários, que muitas vezes contrariavam as próprias leis da metrópole.

Mas tudo muda a partir da segunda metade do século XVII, marcada pela expulsão dos holandeses. Nesse mesmo momento, Portugal perde muitas de suas possessões asiáticas e na África resta apenas o tráfico negreiro; dessa forma o Brasil resta como única saída, cujas riquezas ainda tinham de

Não há fontes bibliográficas no documento atual a ser exploradas. No entanto, havia um movimento paralelo e ao mesmo tempo oposto ao que a metrópole caminhava: era o movimento da própria colônia brasileira, que nesse século e meio já havia se constituído, atingindo um certo grau de desenvolvimento econômico que lhe dava certa autonomia; o caminho de Portugal era o inverso: podar toda autonomia e autoridade de sua colônia a fim de defender seus interesses, e assim o fez de forma sistemática, estabelecendo um verdadeiro monopólio entre ela e o Brasil. Não foram poucas as intromissões dos portugueses na economia e política do Brasil, e o auge foi atingido no período aurífero.

Neste momento teremos o surgimento de um novo personagem, claramente oriundo dessa mudança sofrida pelo Brasil: o comerciante português que, segundo o autor, acaba por constituir uma rica burguesia que irá colocar em xeque a "nobreza" dos grandes proprietários. Juntamente com esse personagem aparece uma nova local de atuação: as cidades, principalmente as litorânea, que se constituem como verdadeiros centros populacionais. O Brasil parecia estar virado de cabeça para baixo, e o interessante é que nesse momento, Caio Prado Junior assume a existência de identidade ou de uma unidade que ele chama de brasileira, como se o Brasil existisse enquanto Estado Nacional, ou que já engatinhava para tal caminho e essa mudança resultante de uma imposição cerrada da metrópole portuguesa vinha para desviar o Brasil de seu rumo certo.

O resultado desse processo é a afirmação da autoridade política da metrópole sobre a sua colônia, o que conseqüentemente rompe com que o autor chama de equilíbrio político do regime colonial. Caio Prado diz que "o choque das forças contrárias assinala a contradição fundamental entre o desenvolvimento do país e o acanhado quadro do regime de colônia. Dele vai resultar a nossa emancipação".

Bibliografia

Fausto, B. (2008). História do Brasil. Sao Paulo: Edusp.

Junior, C. P. (1994). Evolução do Politica Brasil e E Outros Estudos. São Paulo: Brasiliense.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Movimento Cocalero na Bolívia

Resenha Critica do texto da autora Vivian F. D. Urquidi
Trabalho feito para nota do Módulo de Movimentos Sociais da América Latina - PUC/SP

Este trabalho mostra um pouco sobre a trajetória do movimento cocalero na Bolívia e a ascenção do atual Presidente Evo Morales. Muito bacana este texto!!!!!!!

Vivian Urquidi é doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo, em seu livro “o Movimento Cocalero na Bolívia, refaz uma trajetória política dos camponeses cocaleros da Bolívia, um movimento social que nas ultimas décadas, segundo a própria, é complicado de ser compreendido e abordado do ponto de vista histórico e também dos movimentos sociais que lutam pelo interesse da classe e constitui níveis de consciência e autoconhecimento político.

Vivian começa seu trabalho dizendo que o movimento cocalero deixa de longe ser um movimento isolado, mas que este acompanhou a emergência de outros setores ativos da sociedade, o que implicou em questões étnicas com reivindicações sociais e econômicas e que a folha de coca esta inserida em uma questão cultural dos povos andinos.

Segundo a autora, indiferente de ser na serra colombiana, equatorianas ou nos Andes, o movimento dos camponeses está inserido em um desenvolvimento extremamente limitado das suas forças produtivas (Urquidi, 2007).

O movimento cocalero, foi formado por camponeses quíchuas, que se deslocaram para Cochabamba a fim de encontrar uma alternativa de sobrevivência. O fim das utopias libertarias que por conseqüência resultou na nova política boliviana, fez crescer o desemprego, a recessão econômica e o setor mais organizado do país, o proletariado mineiro.

É importante lembrar que, toda esta crise se deu através das reformas políticas, abertura das fronteiras para importações e o congelamento dos salários das instituições publicas e também do enxugamento do governo. Tudo isso coincidiu com o termino da Guerra Fria e com as estruturações dos blocos de influencias, o que resultou em um modelo neoliberal.

A partir destes percalços, surgem os cocaleros como forma da nova fase de exclusões sociais. Foi nos interstícios desta crise política que emergiram, na América Latina toda, forças latentes da sociedade organizadas em Novos Movimentos Sociais (NMS) (Urquidi, 2007).

A falta de identidade e uma filiação política definida, fez com que estes novos movimentos na America latina tomassem impulsos diversos, dentre eles, os culturais e étnicos, organizados por meios de identidades especificas ou até mesmo locais.

O grau de auto-reflexão e o nível do pragmatismo dos cocaleros fazem pensar que este movimento é também conseqüência das suas histórias de luta, num país marcado pela pobreza e desigualdade, pela vulnerabilidade econômica frente à agressividade dos mercados externos, e pela tradicional tendência à exclusão social dos indígenas por parte das elites. [...] (Urquidi, 2007).

A Bolívia tem sido o país mais pobre da América Latina perdendo apenas para o Haiti, com uma renda per capita de US$ 933, alem de ter sua economia basicamente na extração de mineral, petróleo e agricultura. O país ainda conta com uma base industrial precária e uma indústria manufatureira iniciante, a modernização revolucionaria deu ênfase a exploração de terras como única e verdadeira fonte de riqueza.

O camponês boliviano buscou alternativas para sua sobrevivência, hora mudando de cidade, hora mudando de país, mas o setor de produção artesanal optou pela migração para a região do Chapare, sendo que esta região se destaca pelo cultivo da folha de coca para uso do narcotráfico.

O cultivo da folha de coca na região do Chapare foi incentivado desde o inicio da década de 1980, a região que até então tinha uma população de 25 mil habitantes em 1970, passou a ter 140 mil, com o cultivo da folha a região tem um salto de mais de 20% na população.

O colonizador típico do Chapare é um migrante recente – dos últimos vinte anos – que em geral chegou espontaneamente à região, procedendo principalmente de Cochabamba e tendo como característica básica o fato de ser descendente do horizonte quíchua. Sem nunca ter perdido contato com suas regiões e origem – com as quais mantém relações continua –, na maioria dos casos, o cocalero ou não possui terras noutros sítios, ou elas estão localizadas nas comunidades de origem, em zonas áridas, ou, desde a reforma agrária, elas foram se constituindo em minifúndios não superiores a um hectare. Pelo seu passado rural, o cocalero padrão não aceita perder o estatuto de produtor independente nem vender sua força de trabalho em troca de um salário (Urquidi, 2007).

Apoiando-se na reprodução familiar, o cocalero usufrui da troca de serviços com as pessoas alheias para os períodos de cultivo ou colheita da folha de coca. Mas o que predomina realmente é o fato do cultivo da coca ser predominante no seu sistema produtivo, principalmente na década de 1970, quando o mercado de cocaína atingiu sua máxima.

O produtor é capaz de conseguir uma autonomia superior à de qualquer outro camponês e ainda preserva sua relação direta com a terra e um fluxo de renda que não consegue jamais em qualquer outro meio rural. Devemos lembrar que, nem por isso o produtor de coca supera os índices de pobreza, característicos das zonas rurais.

A posição que os cocaleros ocupam na cadeia produtiva do narcotráfico, reserva a menor parte do lucro gerado pelos negócios. Sendo assim, percebemos que aos produtores da folha de coca somente rende o suficiente para que saia do status de pobreza, mas o camponês boliviano não supera o quadro de pobreza rural. Segundo estudos do programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), realizados em 1995, devido o cocalero ter uma economia diretamente com a produção da folha de coca.

Não existem dados concretos do governo, mas estimativas dizem que o mercado de folha coca até o final da década de 1990, 10% da produção seria utilizada de forma tradicional, enquanto os outros 90% constituiriam a produção excedente destinada à fabricação da cocaína. Devido este motivo, o plano Coca Zero, conveniado com a Embaixada dos Estados Unidos, o governo boliviano se comprometeu até o inicio de 2000, extinguir totalmente a produção da folha, mesmo sem acordo dos cocaleros.

Mesmo não atingindo suas metas o projeto Coca Zero, acabou rendendo fluxos de capitais ao governo como forma de apoio econômico externo.

De acordo com (Urquidi, 2007), os primeiros passos do Movimento Cocalero surgiram com vista a combater este programa de erradicação da folha de coca. Os cocaleros defendiam o cultivo da folha não só pelo valor econômico, mas principalmente por seu mérito cultural e identitário. Esta grande organização dos cultivadores de coca foi dando origem ao Movimento al Socialismo (MAS), dirigido pelo índio aymara Evo Morales. Morales entrou em 1978 no exercito de Padilla, mas afirma que, sua participação no exército e do modo como compreendeu o funcionamento do governo, basicamente repressora, descobriu as injustiças que se cometiam contra os despossuídos. As reivindicações do movimento não se limitaram apenas à luta pela folha de coca, mas também pela revalorização da população indígena que por muito tempo foi excluída socialmente.

Em 1997 o movimento cocalero liderado pelo líder Evo Morales, conquistara algumas cadeiras no parlamento boliviano, o que despertou uma mobilização por parte de Hugo Bánzer, líder do governo anticocalero. Bánzer vai propor em sua gestão a erradicação total da folha de coca destinada ao narcotráfico.

Mas, entretanto os 15 anos de mobilização cocalera prevalecem e contraposição dos desmontes das organizações populares existente em meados de 1980, acaba dando um temperamento nas mobilizações sociais que estão surgindo ao final do milênio. Morales passa a ser o centro das atenções das massas bolivianas, pois se mostra um líder totalmente antiliberal.

O governo do presidente Sanches Losada, acabou levando a população a viver em condições desumanas. As políticas de privatizações se instalaram na Bolívia, por conta disso alguns movimentos liderados por associações de bairro sindicatos dos camponeses entre outros, saíram às ruas da cidade para protestar contra as políticas que pretendiam privatizar os recursos hídricos do país.

A chamada “Guerra Del Agua” como ficou conhecida, acarretou em uma onda de mobilizações populares integrado por diversos movimentos civis, acabou atingindo seu objetivo graças à pressão da massa camponesa liderada pelo movimento cocalero.

Em 2002 nas eleições para presidente, o partido de Morales, o Movimento Al Socialismo (MAS), atingiu o segundo lugar com 20,94% dos votos contra 22,45% do MNR. Pela primeira vez uma massa importante da população votaria para presidente por um indígena, sem titulo acadêmico, mas avaliado por sua luta a favor da soberania nacional.

Com tudo isso, a projeção política do partido esta ameaçada pelas contradições internas que o movimento deverá resolver. A principal é a aproximação dos plantadores da folha com o trafico de cocaína, que cada vez mais acaba aliciando novos membros.

Bibliografia

Urquidi, Vivian F. D. O Movimento Cocaleiro na Bolivia. São Paulo. 2007: Hucitec.