sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Seis novos bens entram na lista de Patrimônio Cultural do Brasil

Os seis bens avaliados pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, nesta quinta e sexta–feira (5 e 6), no Rio de Janeiro, foram tombados ou registrados como patrimônio Cultural do Brasil. A partir de agora, o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro que envolve mais de 22 etnias indígenas do Amazonas, e o Ritual Yaokwa do povo indígena Enawene Nawe, no estado do Mato Grosso terão proteção federal. Além destes, entraram na lista de bens preservados a paisagem cultural de Santa Tereza, no Rio Grande do Sul, do conjunto urbanístico e paisagístico da cidade de São Félix, na Bahia, do Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões, no Amazonas, e do Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.

Este ano, o Conselho Consultivo já esteve reunido outras duas vezes. Na primeira, em março, foram aprovados o registro da Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis, em Goiás, e o tombamento da Vila Serra do Navio, no Amapá. Já no mês de junho, os conselheiros aprovaram o tombamento dos Lugares Sagrados dos Povos Indígenas do Alto Xingu, no Mato Grosso, os Bens da Imigração Japonesa, em São Paulo, e o Teatro Oficina, também no estado paulista.

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural que avalia os processos de tombamento e registro, presidido pelo presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 22 conselheiros de instituições como Ministério do Turismo, Instituto dos Arquitetos do Brasil, Sociedade de Arqueologia Brasileira, Ministério da Educação, Sociedade Brasileira de Antropologia e Instituto Brasileiro de Museus – Ibram e da sociedade civil.

Saiba mais sobre os novos patrimônios culturais brasileiros.

Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro – AM
Ainda hoje no Brasil, um sistema agrícola é capaz de determinar a organização social de etnias e permite, inclusive, um mapeamento das línguas e costumes. Em linhas gerais, esse é o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, entendido como um conjunto formado por elementos interdependentes, como as plantas cultivadas, os espaços, as redes sociais, a cultura material, os sistemas alimentares, os saberes, as normas e os direitos. O cultivo da mandioca brava (manihot esculenta) é a base desse sistema que reúne os mais de 22 povos indígenas que vivem ao longo do Rio Negro, em um território que abrange os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, até a fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela.

Ritual Yaokwa do Povo Indígena Enawene Nawe
O Ritual Yaokwa é a mais longa e importante celebração realizada por esse povo indígena, atualmente uma população em torno de 540 indivíduos que vivem em uma única aldeia, na terra Enawene Nawe uma área de 742 mil hectares, homologada e registrada, localizada numa região de transição entre o cerrado e a floresta Amazônica, no estado do Mato Grosso. Com duração de sete meses, este ritual define o início do calendário ecológico-ritual Enawene que abrange as estações seca e chuvosa de um ciclo anual marcado pela realização de mais três rituais: Lerohi, Salomã e Kateokõ. Parte fundamental do Yaokwa ocorre quando os homens saem para a pesca de barragem, construídas com sofisticadas armações que se configuram em elaboradas obras de engenharia, dispostas de uma margem à outra do rio. Este é o ponto alto do ritual que começa em janeiro, com a coleta das matérias-primas para a construção das barragens e com a colheita da mandioca.

Paisagem cultural em Santa Tereza - RS
Localizada às margens do Rio Taquari e do Arroio Marrecão, Santa Tereza conta cerca de 570 moradores que habitam as 250 casas do núcleo urbano. Os outros quase 1,5 mil habitantes moram na área rural. A partir de 1887, os lotes foram distribuídos entre os colonos. Desde essa época a cidade destaca-se pela diversidade e a alta produtividade da agricultura desenvolvida em terras consideradas as mais férteis do estado. Ainda hoje a comunidade tira o sustento da lavoura. Entre os núcleos gaúchos, Santa Tereza é o mais singelo e também o mais íntegro do ponto de vista da ocupação urbana já que mantém quase intactas as características originais do seu traçado.

Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões - AM
Os mais de 10 quilômetros em que é possível observar as águas escuras e transparentes do Rio Negro correndo ao lado das águas turvas e barrentas do Rio Solimões, no Amazonas, podem se tornar o mais novo bem protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan no norte do país. O Iphan defende a proposta em função da excepcionalidade do fenômeno, considerando seu alto valor paisagístico.

Centro histórico de São Félix - BA
A cidade de São Félix, no Recôncavo Baiano, se estabeleceu, no século XVI em função da expansão do porto de Cachoeira como o ponto de partida da Estrada das Minas, importante rota comercial que seguia para Rio de Contas, na Bahia, e para os estados de Minas Gerais e Goiás. Ainda hoje mantém a trama urbana original praticamente intacta. Também é espaço de manifestações culturais, sobretudo religiosas, da população local e mantêm uma interação histórica, urbanística e paisagística com a cidade de Cachoeira, situada na outra margem do Rio Paraguaçu.

Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial - RJ
Conhecido como Monumento aos Pracinhas, localizado no Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi construído entre 1957 e 1960 e projetado pelos arquitetos Marcos Konder Netto e Hélio Ribas. O conjunto é integrado por três obras: uma escultura de metal homenageando a força aérea brasileira, outra em granito que homenageia os pracinhas das três armas e um painel de azulejos destacando os combatentes e os civis que morreram em operações navais. Simbolicamente, o Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial, estiliza duas palmeiras amparando mãos que levam até o céu nossos pracinhas mortos em combate, cujos 468 túmulos se localizam no subsolo.

Mais informações
Assessoria de Comunicação Iphan
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
Daniel Hora – daniel.hora@iphan.gov.br
Mécia Menescal – mecia.menescal@iphan.gov.br
(61) 2024-6187 / 2024-6194
(61) 9972-0050
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Fonte: Ascom

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MEC critica cálculo do IDH e diz que índice não reflete avanços recentes na educação de adultos

Site UOL

O MEC (Ministério da Educação) criticou, em nota, o novo cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no que diz respeito à educação. O índice do Brasil caiu de 0,833 para 0,699 entre 2009 e 2010 mas, segundo o MEC, os resultados não são comparáveis porque houve mudanças na metodologia.

O IDH varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano.

Ao passar a considerar a escolarização de pessoas com mais de 25 anos como um dos critérios, o cálculo do IDH prejudicou países que começaram a investir pesado em políticas educacionais mais recentemente, caso do Brasil, segundo o MEC.

“Considerado o grupo com mais de 25 anos de idade, cresce o peso do passivo educacional dos países menos desenvolvidos – refere-se a pessoas já adultas que não tiveram oportunidade de escolarização no passado. Essa contagem pune, em termos de índice, os países que construíram políticas sociais e educacionais nos últimos dez anos”, diz o ministério.

O MEC ainda questiona as fontes e datas utilizadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) – que calcula o IDH. “O recente relatório apresenta variação de fontes de informação e períodos de referência que nem sempre coincidem com as referências dos dados oficiais, no caso do Brasil”.

De acordo com o governo, em oito anos, a taxa de escolaridade média de pessoas acima de 25 anos cresceu 25%, mas o aumento não foi considerado no cálculo do IDH.

MPF pede liberação de uso de lápis e relógio no Enem; decisão está prevista para sair nesta 6ª

Site UOL

O MPF/ES (Ministério Público Federal) no Espírito Santo ajuizou ação civil pública com pedido de liminar contra o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), para que os candidatos inscritos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010 possam utilizar relógio mecânico, lápis, borracha e apontador. De acordo com as regras do exame, os estudantes não podem levar esses objetos para a prova.

Para o MPF, não é razoável proibir a utilização desse tipo de material. A ação, ajuizada nesta quinta-feira (4), é de autoria do procurador da República André Pimentel Filho, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão.

De acordo com a ação, a utilização de relógio é fundamental, pois um dos elementos de dificuldade do exame é o controle do tempo para a resolução da prova, uma vez que são cobradas 90 questões para um período de 4h30. "É evidente o caráter fundamental que assume a administração do tempo no decorrer da realização do exame", sustenta Pimentel.

Já em relação à proibição da utilização de lápis, borracha e apontador, o procurador considera que não há qualquer lógica nessa determinação: "São materiais necessários para o bom desempenho dos alunos e não representam de forma alguma sério risco de fraude", diz. "As medidas de segurança estão virando paranoia sem sentido. E o pior é que, nesse caso específico, podem prejudicar os desempenho dos estudantes", completa.

O MPF mandou ofício para o Inep em 27 de outubro, pedindo explicações quanto às proibições. O ofício não teria sido respondido, e outro documento foi enviado ontem (3). Segundo o ministério, quanto ao uso de relógio, o Inep informou que haveria três sinalizações de horas: uma para o início da prova, uma a 30 minutos do término e uma para o final da prova. Para o MPF, essa metodologia é insatisfatória.

A ação está na 5ª Vara Federal Cível de Vitória (ES) e será apreciada pela juíza Maria Cláudia de Garcia Paula Allemand. A decisão está prevista para sair nesta sexta-feira (5).

Em nota, o Inep informa que o MPF "não compreendeu as informações prestadas, e continuam convencidos que o procedimento – proibir ingresso em local de prova com relógio – garante maior segurança ao Exame". A instituição diz que "as medidas [foram tomadas] para garantir em juízo o resguardo de um valor maior, que é a segurança do exame, sem prejuízo do controle do tempo pelo aluno, já que o horário corrente poderá ser perguntado aos fiscais de sala a qualquer momento, conforme explicação feita pelo Inep ao MP".

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Analisando Raízes do Brasil

Sergio Buarque de Holanda baseia sua obra Raízes do Brasil com uma forte hipótese, a de que os portugueses eram mais bem preparados para efetuar a conquista dos trópicos em beneficio da civilização.

Sergio faz referencias teóricas e bibliográficas dos autores Vilfredo Pareto e Max Weber. Porem SBH, nos distancia das fontes weberianas ao aproximar uma proposta entre o aventureiro e o trabalhador. Para Sérgio o aventureiro seria caracterizado por um desejo de novas sensações e de uma consideração pública, enquanto o trabalhador seria animado pelo desejo de segurança e pelo de correspondência.

O aventureiro é o homem do espaço e seus valores, como a audácia, a imprevisão, a irresponsabilidade, a instabilidade e a vagabundagem correspondem a uma concepção espacial do mundo. Tudo aquilo que nutre os valores do trabalhador, como a estabilidade, a paz, a segurança, pessoal, o esforço sem perspectiva de proveito material imediato, permanece como que incompreensível ao aventureiro, pois advém de uma concepção temporal do mundo, ou seja, o aventureiro ibérico não saberia compreender e muito menos compartilhar o comportamento social e econômico do trabalhador do norte.

O português estava preparado pela conquista do Atlântico, mas também ao tempo. Sergio Buarque encontra algumas citações que leva a crer que o povo inglês, antes da época vitoriana, era tão pouco inclinado ao trabalho quanto o português.

Em se tratando de encontrar as causas para uma aptidão que o autor colocou, primeiramente, como um dado evidente, a construção histórica desta causalidade parece, com clareza, permanecer fortemente teológica.

O argumento político, que concerne à teoria do poder e da ação, se apóia , basicamente, sobre o desenvolvimento suposto no espaço ibérico , da teologia agostiniana do mundo. Resulta nesta concepção que nenhuma ação mundana poderia ser perfeitamente santificada, Sergio explica que, na teologia agostiniana , a Cidade de Deus, o Reino de Deus, único fim honorável do crente , nada poderia partilhar com o mundo aqui de baixo.

Os ibéricos, segundo Sergio Buarque, jamais deram crença a este mundo afastado de Deus, e permaneceram como que estranhos à organização do mundo terrestre. Na península ibérica, contrariamente ao que se passava no resto da Europa, o individualismo jamais foi submetido, totalmente, à idéia de uma organização hierárquica dos homens. Cada individuo é filho de si mesmo, não tem necessidade dos demais. Ele conta somente com as suas virtudes, com o seu próprio esforço. Os ibéricos são em geral, os dignos herdeiros do estóico Sêneca, e esta é a razão pela qual eles permaneceram , até hoje, insensíveis ao trabalho como à organização social.

É esta visão do mundo que explica, em síntese, a dominação de modelo aventureiro, fundado sobre o mérito pessoal e pelo cada um por si. Os intermediários eclesiásticos não tomam parte da obtenção da Graça e na construção do Reino. Somente Deus é Deus e todo poderoso. Weber fala neste sentido, da articulação, da articulação significativa, na língua alemã, do Berufung, o apelo que vem de Deus, e do Beruf, a profissão, o trabalho, que é como que a resposta do crente a este apelo.

Questões para a história do presente. “Pode-se fazer uma história do presente?” (Jean-Pierre Rioux) “O retorno do político” (René Rémond)

“Questões para a história do presente” é uma compilação de textos que analisa os vários aspectos sobre a produção da história imediata e da separação entre história e presente. Sob coordenação de A. Chauveau e Ph. Tétard, a obra conta com análises de historiadores renomados , entre eles Jean-Pierre Rioux e René Rémond, que analisam respectivamente a possibilidade de se fazer uma história do presente e o retorno do político na história contemporânea.

Jean-Pierre Rioux começa descrevendo a questão da História Presente na França, onde a mesma se estabeleceu no final da década de 70 com a criação do Institu D’ Histoire Du Temps Present e tinha como missão praticamente conduzir pesquisas sobre o movimento.

Segundo Jean Pierre, cria-se a duvida sobre o estudo da História Presente, pois o presente pode ser visto como uma coisa fulgaz. Também segundo o mesmo, o autor Fernand Braudel em suas obras, utiliza-se de um “parecer” para a construção da verdadeira modulação humana. Outra questão existente também é a da Historia e da proximidade , sendo estas uma forte objeção do autor.

O texto vai dizer que o historiador encontra-se imerso em seu tempo, mas muitas vezes é pego mergulhando no meio destas confusões de acontecimentos sem nenhum tipo de hierarquia, tampouco causas aparentes e então, se vê obrigado a “digerir” a sopa do noticiário da TV, onde simplesmente são jogados os fatos sem nenhuma explicação lógica. A ação da mídia também acaba conduzindo a sociedade a um passado recente. Porem devido a isto, o historiador conta com a ajuda de vários autores da História que, assim como ele, esta em busca da sua identidade, que por sua vez, dão sua “contribuição”, para que sua experiência e idéia perpetuem.

Rioux também nos fala sobre o recuo do tempo, pois o mesmo era de caráter fundamental durante o século XIX, para assim garantir um tom cientifico à História. O historiador era obrigado a trabalhar com apenas com catálogos e arquivos, porem hoje o próprio historiador pode criar este recuo. Hoje temos uma grande influencia das fontes orais, que até então eram os principais recursos dos historiadores “iniciantes”, jornalistas, sociólogos entre outros que se atreviam a escrever uma produção. Porem Agora estes instrumentos se tornam importantíssimos para a produção de uma História recente, história esta que recusa esta efemeridade atual, a fim de dar um sentido mais amplo a estes atores.

Jean deixa bem claro esta sua recusa ao dizer que “pode ajudar as gerações que crescem a combater a atemporalidade contemporânea, a medir o pleno efeito destas fontes originais, sonoras e em imagem, que as mídias fabricam...” (Rioux, 1999 p.46)

Rioux não deixa extamentente claro sobre sua posição do estudo da História Presente, mas nos dá bastantes argumentos para uma reflexão sobre este assunto.

Passando para o ensaio de René Rémond, “O Retorno do Político”, o autor faz uma analise sobre a volta do estudo da História política. Porem o mesmo deixa claro que não é a História Política Positivista do século XIX, história esta sufocada pelos Analles, mas sim uma História mais renovada, contemporânea.

René vai nos alertar sobre o fato de que a História Política não deve ser reduzida ao acontecimento em si, pois o fato mesmo que não seja político é de grande importância para História. Desta maneira o historiador estará sempre atento aos fatos, ambigüidades e suas casualidades, coisa que o” historiador clássico” não conseguiria perceber.

O autor vai atribuir duas razões para a volta da História Política, que são: a compreensão do que é real e muito mais variado do que o simplismo dos sistemas de explicação e também, a importância dada às pessoas e aos sistemas redutores como apego as convicções ou até mesmo a liberdade. René vai dizer que “... o julgamento do historiador é necessariamente inspirado por uma filosofia que estabelece uma hierarquia entre as ordens e fato, que considera que a consistências, a autonomia ou a capacidade de determinação de algumas coisas são próprias (...) qualquer sistema, por mais esclarecedor que seja, é incompleto, que a realidade é rica e mais complexa que todos os sistemas (Rémond, 1999, p. 56/57).

René diz que o campo político não é definido de uma vez por todas, mas sim mutável e diz também que o político é uma coisa boa a tudo que se diz respeito ao individuo tais como o corpo, a vida o nascimento e a morte, e cita também a sexualidade como uma questão política assim como a justiça, cultura e a ética.

Tanto Rioux como Rémond fazem um ensaio brilhante sobre os dois temas, mas se utilizam de um vocabulário um tanto complexo, que leva o leitor a uma reflexão muito boa para desenvolver o seu entendimento sobre os assuntos.

Bibliografia

CHAVEAU, A. e TÉTARD, PH (org.) – Questões para a história do presente. Bauru, EDUSC, 1999. Cap. 2 – “Pode-se fazer uma história do presente?” (Jean-Pierre Rioux)p. 39-50 e Cap. 3 – “O retorno do político” (René Rémond) p. 51-60

Carpinteiro que tentou matar Hitler terá monumento em Berlim

Agência Reuters - Berlim/Alemanha

Um carpinteiro que tentou assassinar Adolf Hitler e pagou com sua vida será homenageado em breve com um monumento comemorativo em Berlim, mais de 70 anos após a tentativa de usar uma bomba contra o ditador nazista.

A cidade de Berlim divulgou planos para construir, no ano que vem, uma silhueta de aço do rosto de Georg Elser de 17 metros de altura no distrito de Mitte, na rua onde ficava o prédio administrativo de Hitler.

"Homenagear Georg Elser próximo ao centro de poder do Terceiro Reich é um ato de dignidade e representa um triunfo tardio", disse o secretário estadual de Cultura, Andre Schmitz.

Elser escondeu uma bomba dentro de um pilar na cervejaria de Munique onde Hitler realizaria um discurso no dia 8 de novembro de 1939.

Mas por causa da névoa, Hitler pegou o trem para voltar a Berlim ao invés de seguir de avião, e portanto saiu mais cedo da cervejaria --13 minutos antes do momento da explosão da bomba instalada por Elser.

Elser foi detido na fronteira com a Suíça na mesma noite, enviado a um campo de concentração, e morto em Dachau no dia 9 de agosto de 1945, semanas antes do fim da Segunda Guerra (1939-45).

O artista berlinense Ulrich Klages foi o criador do monumento, após vencer a competição "Memorial em Berlim para o Assassino de Hitler" realizada na Europa.

O memorial deve ser inaugurado no dia 8 de novembro de 2011, no 72º aniversário da tentativa de assassinato.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

15 DE OUTUBRO: DIA DO PROFESSOR NO BRASIL


Ricardo Barros*

No Brasil, o Dia do Professor é comemorado todo 15 de outubro. Mas você sabe a origem do Dia do Professor?

No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Teresa d’ Ávila), Dom Pedro I, Imperador do Brasil, baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, era imperativo que "todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras". Ele ainda determinava a descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia era inovadora e revolucionária para a época.

Foi somente em 1947, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra - portanto, 120 anos após o referido decreto do Primeiro Império - que ocorreu a primeira comemoração do Dia do Professor.

A data começou a ser comemorada em São Paulo, em uma pequena escola no centro da cidade, onde existia o Ginásio Caetano de Campos. O longo período letivo do segundo semestre ia de 1º de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todos esses meses. Foi então que quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para se evitar o stress – e também de congraçamento e reflexão para o restante do ano.

O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização entre eles. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça. O discurso do professor Becker, além de ratificar a ideia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase: "Professor é profissão. Educador é missão".

A partir dessa data, comemora-se o Dia do Professor no Brasil em todo 15 de outubro.

*Ricardo Barros é Professor de História do Colégio Paulista. Mestre em Educação pela Universidade de São Paulo. Bacharel em História e Licenciado em Pedagogia pela mesma universidade.