quarta-feira, 8 de junho de 2011

O PCB, a ANL e as Insurreições de Novembro de 1935

Resenha Critica do texto da autora Marly de Almeida G. Viana
Trabalho feito para nota do Módulo de Movimentos Sociais do Brasil


No presente artigo a autora Marly de Almeida G. Viana, professora adjunta do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da UFSCar e Professora do Curso de História do Centro Universitário Central Paulista- ASSER- São Carlos, aborda as questões sociais, politicas e econômicas na conjuntura das insurreições de Novembro de 1935 focando a Aliança Nacional Libertadora (ANL) e do Partido Comunista do Brasil (PCB).

Sem duvida alguma o ano de 1935 foi muito importante na história da ANL. O ambiente criado após a revolução de 30 fez com que os ânimos políticos se aflorassem mais ainda. Com a organização de alguns setores da sociedade, claro que os mais influentes, a organização de debates e ações intensificadoras tinha como objetivo elevar o pais ao progresso e a democracia.

Segundo a Marly de Almeida, a mobilização era intensa. Jovens militares, intelectuais , profissionais liberais, estudantes entre outros grupos, colaboraram para este evento , e outro dado importante que a autora aborda é a questão de que, os grupos que lideravam estas discussões eram na sua grande maioria ligado a setores que tiveram acesso ao ensino superior, ou seja, era formada por uma elite, como profissionais liberais, estudantes e de forma destacada os tenentes, este ainda constituíam um grupo armado.

Já a classe operária, se movimentava por meio de sindicatos, porem estes não possuiam uma força muito expressiva, o que contribuía para uma não aceitação das demais classes. É importante notar também que não havia ainda uma representação politica organizada em partidos, pois na época os únicos partidos políticos eram: PCB – Partido Comunista do Brasil e AIB – Ação Integralista Brasileira, que tinham ai uma ideologia e uma organização de nível nacional, e em uma sociedade como da época com a tradição de exclusão e autoritarismo, a grande massa popular ficava fora destes debates e movimentos da sociedade brasileira.

O movimento tenentista toma força nesta mobilização e debates do período, uma vez que tinham o apoio da sociedade brasileira, após a Revolução de 1930 e mesmo com a divisão do movimento com a candidatura de Getúlio Vargas, pois de um lado ficou Luís Carlos Prestes que aderiu ao Socialismo com um ideal diferenciado de sociedade e igualdade, de outro ficou a grande maioria dos tenentes que apoiaram Getúlio estes queriam a regeneração da republica, mesmo com esta divisão o tenentismo tinha apoio total da sociedade brasileira.

Porem as mudanças com a revolução e chegada ao poder de Getúlio Vargas não solucionaram os problemas econômicos e da sociedade, o que trouxe insatisfação para aqueles que tinham participado da revolução de 1930, os primeiros anos do governo provisório de Getúlio trazem a tona toda esta insatisfação.

Vale ressaltar que a conjuntura internacional do momento, pois com a chegada ao poder de regimes autoritários como na Itália e Alemanha, eram apontados como soluções para crise do estado democrático capitalista, e sem duvida influenciaram a efervescência politica do pais com a fundação da Ação Integralista Brasileira fundada em 1932 e que tinha enorme simpatia pelo fascismo, e as ideias nazifascistas tiveram adeptos imediatos no Brasil , e principalmente entre os tenentes insatisfeitos com os rumos da politica nacional .

Segundo Boris Fausto, em poucos meses a ANL ganhou bastante projeção. Calculos conservadores indicam que em julho de 1935, ela contava com 70 mil a 100 mil pessoas. Na condução do movimento, seus dirigentes oscilaram entre a tentativa de consolidação de uma aliança de classes e a perspectiva de insurreição para a conquista do poder. (Fausto, 2008)

O PCB fundado em março de 1922, por um pequeno grupo de militantes do anarco sindicalismo, de inicio totalmente subordinado ás diretivas da IC – Internacional Comunista, mas após 1929 os comunistas brasileiros mantiveram atuação independente da IC, na Revolução de 1930 os Comunistas não participaram efetivamente, pois declararam que aquela era uma Revolução de Imperialistas e que nada tinham a ver com ela, pois mesmo na ocasião Luís Carlos Prestes que já havia aderido ao comunismo ter tentado se aproximar do PCB, a direção do partido não queria alianças com Prestes, e após uma necessária reorganização do PCB em meados de 1933/34 e uma reunião do secretariado da IC, Luis Carlos prestes Conseguiu ser admitido como membro do Partido pois havia se tornado neste momento um verdadeiro mito nacional a partir da atuação na coluna Prestes, e esta reunião de moscou e entrada de Prestes no PCB foram decisivos nos levantes de Novembro de 1935.

Neste período, dirigentes do partido realmente acreditavam que o pais estava prestes a uma revolução, pois era este discurso que transmitiam para Moscou na IC, isto fez com que de certa forma o PCB via um movimento que na verdade não existia, contavam com o apoio em massa da classe operária, no Nordeste com os homens de lampião com um governo enfraquecido, acreditavam ai em um Brasil comunista, mais na verdade não foi o que se viu, pois os levantes de 1935 estavam muito mais enraizados no movimentos tenentistas do que no comunismo realmente, o Partido teve fundamental e importante participação nos levantes, porem idealizou o movimento comunista no Brasil com fortes influências do comunismo na Europa principalmente na Rússia, o que foi um erro do partido o movimento comunista brasileiro tinha toda uma especificidade, tanto nas participações como na sua própria formação, além do que a sociedade brasileira estava muito aquém dos ideais comunistas e a politica nacional era totalmente enraizada no elitismo, coronelismo e paternalismo, com uma formação histórica de escravismo, estes ideais comunistas europeus não se realizaria da mesma forma no Brasil.

Cabe aqui também a observação de que ao olhar este movimento comunista do período, temos um olhar do presente no passado, e hoje explicar estas dificuldades do comunismo no Brasil na época é totalmente um olhar diferenciado, pois não estamos na efervescência do processo histórico do momento como os comunistas estavam.

A ANL foi articulada com uma frente única antifascista- anti integralista, enquanto representantes do PCB estavam em Moscou, com a efervescência das lutas democráticas e o descontentamento com os rumos da revolução de 1930, os tenentes passaram a articular uma grande frente que ia se transformar na ANL, foi lançada em 30 de março de 1935, com Luís Carlos Prestes presidente de honra do partido e tendo como porta voz o estudante comunista Carlos Lacerda como porta voz do partido, tinha como principal ideal defender a liberdade e a emancipação nacional e social do pais, com este ideal uniu partidos, diversos sindicatos, organizações femininas, culturais, estudantis, profissionais liberais e militares, tendo assim um amplo apoio social.

A Aliança Nacional Libertadora tinha em seu discurso algumas diferenças com o ideal do PCB, a principal ficava por conta do poder, enquanto os comunistas tinham um discurso de tomada do poder por um governo popular a ANL no seu inicio não tinha este ideal, trazia em seu discurso o poder de forma democrática, e tinha um caráter aliancista viam na luta anti-imperialista e democrática as mudanças necessárias ao pais, foi reconhecidamente a maior organização de massas que o pais já teve, o sucesso da organização assustou o governo que tentou identificar a ANL com o PCB, assim podia combate-los com maior eficácia, e depois que o Partido Comunista Brasileiro entrou para a organização os rumos da Aliança Nacional Libertadora mudou, mesmo com algumas diferenças em seus discursos de ideologias os comunistas e tenentes viam na luta armada o único caminho para mudanças no pais , acreditavam que a Revolução estava muito próxima, contavam com o apoio da IC para esta revolução, na época foi destacada a revolucionária Olga Benário para acompanhar Prestes, passavam a informação para Moscou que realmente a Revolução estava muito próxima.

A situação do pais tornava-se cada dia mais conturbada e a contestação ao governo de Getúlio era cada dia mais evidente com as greves, o descontentamento dos militares, organizações sindicais e tudo com grande influencia do PCB, neste contexto a imprensa teve um papel importante pois o jornal o Globo dava destaque de um plano subversivo com ordens vindas de Moscou para a implantação de um regime soviético no Brasil e este trazia injurias sobre os comunistas e a forma como agiriam com assassinatos, fuzilamentos para a tomada do poder, claro que este fato foi uma estratégia do governo para conter os comunistas e a simpatia da sociedade pela causa, a partir disto começaram as prisões de comunistas, aliancistas, lideres sindicais, e ANL foi fechada , começando a agir na clandestinidade, e partir daí Prestes e o PCB passaram a dominar a organização.

No dia 27 de novembro de 1935 estoura no Rio de Janeiro a rebelião que ficou conhecida como “Intentona Comunista”, no mesmo mês ocorre o Levante no Rio Grande do Norte, onde teve o fato importante da desorganização do próprio movimento e a maior parte da população na verdade nem sabia o porquê do levante, muitos aderiram por medo, outros por oportunismo, a maioria não tinha ideia dos ideais do movimento, isto fez com que o movimento se tornasse um movimento totalmente desorganizado e após alguns dias o movimento se enfraqueceu, já em recife também no mesmo mês com agitações operárias e militares foi comandado pelo jovem Tenente Lamartine Coutinho e depois de tomarem o quartel os revoltosos começaram a distribuir armas aos curiosos, assim como o movimento de Natal o de recife não tinha a organização necessária para um levante, pois aqui também o povo não entendia muito bem o que estava ocorrendo, apesar de serem mais politizados, o movimento em recife tem fim com os seus revoltosos presos no dia 27, na mesma data dos Levantes no Rio de Janeiro .

Basta seguir estes acontecimentos para entender que os levantes estavam longe de ser uma conspiração ordenada por Moscou como a imprensa e o próprio governo propagava, pois em Natal o movimento foi desorganizado e de questões politicas, no de recife foi também questão politica regional e demostrando o total despreparo do próprio movimento, e enquanto isso no Rio de Janeiro as noticias começaram a chegar sobre estes levantes mais eram vagas, e apesar disto Prestes decidiu pelo Levante na madrugada de 27 de Novembro no Rio de Janeiro com uma maior organização com data e hora marcada o movimento não se deu da forma como Prestes havia organizado e pensado, pois contava com um apoio de antigos companheiros o qual não teve, a resistência nos quarteis foi grande , e isto também não estava nos planos de Prestes, a marinha também não aderiu ao levante , e a população não tinha ideia do que estava acontecendo, o levante do Rio também foi derrotado.

Os revolucionários estavam certos de que poderiam ainda continuar a luta e que a vitória seria possível, o PCB achava que a derrota nas Insurreições se deu devido a prematuridade das ações porem neste momento começa a violenta repressão ao movimento , com prisões , torturas, em dezembro de 1935, com a prisão de membros de direção do partido, Prestes inicia a sua fuga juntamente com Olga Benário, e após uma busca incessante Prestes e Olga forma presos em março, levados para o DOPS e lá separados foi a ultima vez que se viram, meses depois Olga foi entregue aos nazistas gravida de Prestes foi assassinada em um campo de concentração .

O PCB e a ANL foram sem sombra de duvidas importantes no cenário da politica brasileira da década de 30, as insurreições mesmo desorganizadas e fracassadas fazem parte de um processo histórico importantíssimo para entendermos o comunismo no Brasil e principalmente a questão do tenentismo, pois o próprio Prestes fez a seguinte afirmação: “Houve muito de subjetivismo... pensávamos que éramos donos da situação, e em 1935 eu era um tenente muito longe ainda de ser um comunista, um marxista, esta que é a realidade”.

Nesta afirmação de Prestes, fica muito claro que o movimento comunista do Brasil foi um movimento acima de tudo de tenentes que tinham o apoio popular, não se viu uma união nacional em torno do socialismo, e este na Europa se dava de um processo histórico totalmente diferente do processo brasileiro, nossa sociedade não estava madura para o socialismo e o comunismo, tínhamos naquele período um histórico de oligarquias e elites que impediam a sociedade de uma mentalidade e uma cultura socialista, e outro aspecto importante a acrescentar é o fato de que o apoio da sociedade não significava abraçar a causa socialista, e a grande massa no Brasil estava aquém de ser politizada, e entender o que realmente estava acontecendo, as insurreições de 1935 foram muito mais tenentista do que socialista, tinha um caráter justo para a época, mas as estratégias e a forma de lutar não foi o caminho certo a seguir, foi também muito mais idealizadas do que concretizadas, porem sempre devemos ter um olhar cauteloso para o passado, pois para quem estava no calor do momento e das ideologias a visão politica era sem duvida de uma vitória, o processo histórico mundial do momento também sem duvida alimentava esta utopia do comunismo brasileiro.

Com isso podemos concluir que Marly Vianna, traz a tona abordagens precisas das insurreições e toda a especificidades destes movimentos no Brasil, é sem duvida um artigo que elucida alguns pontos do comunismo no pais. Também podemos constatar que mesmo tendo sido um movimento muito mais de cunho tenentista do que socialista, foi um movimento que lutava por transformações importantes na sociedade brasileira, foi de máxima importância para a história do Brasil, e até mesmo para os processos que se desenrolaram nos anos seguintes com a total perseguição aos comunistas.

Bibliografia

Fausto, B. (2008). História do Brasil. Sao Paulo: Edusp.

Toledo, C. N. (2004). O Governo Goulart e o Golpe de 64. São Paulo: Editora Brasiliense.

Vianna, M. d. (2007). O PCB, a ANL e as insurreições de Novembro de 1935. In: J. Ferreira, & L. d. Delgado, Brasil Republicano - O tempo do nacional estatismo: do inicio da década de 30 ao apogeu do Estado Novo (p. 65 a 103). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dica de Filme

Ótimo filme para entender o que foi a Monarquia Absolutista na França...como diria o seu Creisson..."Eu Agarantiuuuuuu"....hahahahah


RESUMO

O filme retrata a França em 1572, quando do casamento da católica Marguerite de Valois e o protestante Henri de Navarre, que procurava minimizar as disputas religiosas, mas acaba servindo de estopim para um violento massacre de protestantes conhecido como a "noite de São Bartolomeu" , que teve a conivência do rei da França Carlos IX, irmão de Margot. O filme, que retrata esse trágico acontecimento, é baseado num romance de Alexandre Dumas.

CONTEXTO HISTÓRICO

A noite de São Bartolomeu, massacre de mais de 3 mil protestantes, ocorrido em 24 de agosto de 1572, marca as sangrentas lutas religiosas que atrasaram a consolidação do absolutismo francês. Esse acontecimento caracteriza a fase final da dinastia Valois, que governava a França desde a idade média.

O casamento forçado entre Margot, irmã de Carlos IX (rei da França) e o protestante Henrique de Navarra (Bourbon), não paralisou as lutas religiosas entre católicos e protestantes. Com a noite de São Bartolomeu, ressurgia o combate, estimulado pelo papa, envolvendo várias regiões européias.

Com a morte de Carlos IX, sobe ao trono seu irmão Henrique III, iniciando-se uma guerra civil conhecida como "Guerra dos três Henriques", entre Henrique de Guise, que fundou com líderes católicos franceses a Liga Católica e Henrique III, que contou com o apoio de seu cunhado Henrique de Navarra. Os dois últimos lideram o cerco sobre Paris em 1589, quando Henrique III é assassinado.


Henrique de Navarra assume então o trono francês como Henrique IV, convertendo-se ao catolicismo - "Paris bem vale uma missa" - mas publicando o edito de Nantes que dava liberdade de culto aos protestantes. Seu governo marca o início da dinastia Bourbon, que conhecerá o apogeu do Estado absolutista no longo reinado de Luiz XIV (1661-1715) o "rei sol", para depois nos reinados de Luiz XV e Luiz XVI, conhecer a decadência e crise, que culminou com a revolução francesa em 1789, acontecimento que marca o início da Idade Contemporânea.

O absolutismo foi a forma de governo que caracterizou os chamados Estados Modernos europeus, marcados pela ampla concentração de poderes nas mãos do rei. Ao longo dos séculos XV e XVI a relação entre rei e burguesia era de aliança, já que ambos simbolizavam o novo (capitalismo nascente), em oposição ao clero e nobreza defendiam o velho (feudalismo decadente). Enquanto a burguesia representava a iniciativa privada e o comércio (atividade mais promissora da época), o rei representava um Estado forte e protecionista, capaz de padronizar defesa militar (exércitos nacionais), leis e moedas, viabilizando ainda mais a acumulação de capital durante a idade moderna.

Nos séculos XVII e XVIII, a relação entre rei e burguesia passa a ser de confronto, pois a burguesia com muito capital acumulado, reivindica o poder político, voltando-se assim contra seu antigo aliado, através das revoluções inglesas (puritana e gloriosa) entre 1649 e 1688 e da revolução francesa em 1789, antecedida das revoluções industrial e americana e influenciada pelos princípios liberais e iluministas, no contexto de crise do Antigo Regime europeu.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Resenha sobre a Dissertação de Mestrado da autora Telma Bessa Sales “Experiências de João Ferrador em os Tempos de Reestruturação Produtiva: VW SBC

Analisando a Dissertação de Mestrado da autora Telma Bessa Sales, com o tema “Experiências de João Ferrador em os Tempos de Reestruturação Produtiva: VW Anchieta – SBC”, a pesquisa de Telma problematiza as mudanças no mundo de trabalho, em específico a reestruturação da fabrica da Volkswagen do Brasil em São Bernardo do Campo, entre os períodos dos anos 80 e 90.

A autora em seu trabalho opta por trabalhar com a metodologia de História Oral, utilizando-se de depoimentos feitos com trabalhadores da fábrica, ela também usa fontes como jornais sindicais e documentos da própria Volkswagen.

Telma deixa claro logo nas considerações iniciais que, seu intuito, não é abordar o ponto de vista empresarial tampouco sindical, mas sim, priorizará os trabalhadores, enfatizando no dialogo com suas narrativas, com as formas como se expressam e significaram as mudanças vivenciadas neste período para os trabalhadores.

Em seu trabalho, Telma discorre sobre o porquê escolheu este tema, e logo percebemos um lado pessoal, pois a mesma faz parte de sua militância e a defesa dos direitos dos trabalhadores, seja no bairro ou no local de trabalho, ela também explica que a pesquisa visa colocar em discussão os impactos das mudanças para o trabalhador, suas relações no local de trabalho, ou seja, na maneira de ver o mundo e de se relacionar com as pessoas.

No primeiro capitulo vemos uma análise da trajetória dos trabalhadores metalúrgicos entrevistados a exploração de suas vivências, implantação e transformação da fabrica da Volkswagen – Anchieta e é claro a expansão da cidade de São Bernardo do Campo.

A indústria automobilística tem uma importância acentuada na economia brasileira e destaca-se pela capacidade de geração de empregos, Bessa explica que em 1985, a empresa VW produziu 36,72% da produção total de veículos, a GM 23,77%, a Ford 17,89% e a Fiat 15,86% da produção. Isso fez com que a cidade de São Bernardo atraísse vários trabalhadores, que lá chegavam tentando reconstruir suas vidas.

Em busca de um novo rumo, homens e mulheres chegavam à cidade em busca de uma vida melhor, com emprego e moradia. Vale ressaltar que grande parte dos atuais moradores de São Bernardo são migrantes, cerca de 73% desses são da categoria de trabalhadores metalúrgicos.

Com o crescimento industrial durante os anos de 1950 e 1960, as empresas usavam um discurso sedutor para agradar seus trabalhadores.

Companheiro, seja bem vindo! Você a partir de hoje faz parte da familia VW. Aqui encontramos e fazemos amigos, tomamos nossas refeições, discutimos as coisas simples e importantesde nossas vidas, trabalhamos lado a lado, em uma harmoniosa equipe...Por é necessario que compreenda a importancia de todos dentro da organização, suas obrigações, responsabilidades e direitos... E neste caminho, desejamos que obtenha sucesso e felicidade em suas novas atividades.[1]

Durante sua pesquisa, Telma pergunta para um trabalhador qual o significado de trabalhar na VW e obtém a seguinte resposta:

“Se você se valorizar a VW te valoriza, eu senti que eu consegui construir na vida uma coisa muito importante sendo trabalhador da VW, eu consegui ajudar dois filhos a se formar, fazer faculdade, eu acho que o estudo é a riqueza que só Deus pode tira, consegui viver uma vida normal, tenho um teto para morar, plano de saúde, meu carrinho para passear, é isso ai”

Como podemos perceber a primeira parte do seu trabalho de mestrado Telma vai expondo algumas informações obtidas através de funcionários, sindicatos e outras fontes de pesquisas. Já na segunda parte a autora analisa o processo da inserção de maquinas na rotina dos trabalhadores. Durante este processo ela explica que a VW introduz o CCQs – Círculos de Controle de Qualidade, que eram grupos de funcionários de qualquer nível, que se reuniam durante uma hora, a cada semana para discutir melhorias na qualidade dos produtos e nos métodos de trabalhos.

Durante esta fase de inovação a VW implanta o sistema de células de produção, que nada mais era uma forma inteligente, segundo a empresa, de organizar a produção em equipes, pratica esta executada no mundo todo com muito sucesso. O sistema de célula proporcionava a cada participante da equipe maior versatilidade e maior criatividade além de mais participação e integração com funcionários e lideranças.

A implantação de novas tecnologias na fabrica é percebida de maneiras diferenciadas e, muitas veze, identificadas como uma alteração localizada, somente no setor. Todos os trabalhadores entrevistados compreendem a que as mudanças possuem um objetivo maior que é tornar a VW mais competitiva no mercado automobilístico.

Na terceira parte vemos o surgimento do chamado CNC – Comando Numérico Computadorizado, os funcionários da VW vão criticar este sistema alegando que antigamente eles podiam sugerir mudanças nos protótipos das peças fabricadas, já com a implantação do CNC não tinham mais esta autonomia.

Segundo um trabalhador entrevistado, o mesmo diz que:

“hoje o computador faz tudo, desenho, a tecnologia tem muito lá na fabrica (...) lá nos tinha a copiadora normal sem ser o CNC, não era programadora. O trabalhador tinha que olhar bem, se não, não saia a peça do jeito que era pra ser”

O CNC vai passar a fazer um controle sobre os trabalhadores qualificados, como por exemplo, os ferramenteiros, que até então exerciam sua função e capacidade profissional numa variedade de trabalho, em que sua tarefa não permitia a padronização do mesmo.

Já nas considerações finais a autora vai dizer que, o estudo sobre os trabalhadores metalúrgicos do ABC está presente nas universidades sob os mais diversos aspectos e ressalta novamente que durante sua pesquisa não abordou o lado empresarial, mas sim apenas os dos trabalhadores, enfatizando um diálogo com suas narrativas e as formas como se expressaram as mudanças vivenciadas.

Telma cita também que durante este processo tecnológico, milhares de trabalhadores foram demitidos e diz que de janeiro de 1980, onde haviam cerca de 37.210 trabalhadores, até janeiro de 1990 o quadro de funcionários foi reduzido para 27.952, ou seja, cerca de 10 mil trabalhadores estavam fora da fabrica após este processo de implantação tecnológica.

Bessa fecha seu trabalho explicando que as mudanças ocorridas na VW foram percebidas de maneiras diferenciadas, de acordo com a experiência de cada um. Uma forma fragmentada, setorizada, com algumas opiniões que as mudanças fazem parte de um plano maior da concorrência internacional. No cotidiano, a visão das mudanças é localizada.

Bibliografia

Almeida, L. F. (2006). Uma Ilusão de Desenvolvimento - Nacionalismo e Dominação Burguesa nos Anos JK. Florianopolis: UFSC.

Documento VW. (1969). Arquivo do Sindicato dos Metalurgicos do ABC . Dieese.

Sales, T. B. (2000). Experiências de João Ferrador Em Tempos de Reestruturação Produtiva:VW Anchieta - SBC. São Paulo: Pontificia Universidade católica de São Paulo.



[1] Documento VW – 1969 – Arquivo dos Sindicatos dos Metalúrgicos do ABC – Dieese.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Florestan Fernandes: interlúdio (1969-1983) Debate Cedem/Unesp

Florestan Fernandes: interlúdio (1969-1983), Editora Hucitec, São Paulo - 2010, livro de Lidiane Soares Rodrigues, será o centro do debate no próximo dia 30 de março, quarta-feira às 18h30, promovido pelo CEDEM - Centro de Documentação e Memória da UNESP.

No século XXI assistimos uma acentuada valorização das dimensões individuais da existência e da vida coletiva, paradoxalmente, nos remete à reflexão sobre o lugar e o papel do intelectual rebelde, do pensamento crítico e radical, da insubordinação e da transformação social na atualidade. O livro realiza fecundo exercício para entender querelas, ora mudas, ora estridentes, em torno da memória deste sociólogo paulista, busca compreender os sentidos dessa contenda a partir do estudo daquela conjuntura da vida e da obra e que tem heranças diversas e legitimamente reivindicadas social, intelectual e politicamente.

Na periodização deste livro - 1969 a 1983 - reside a questão central para Florestan Fernandes, comprovadamente, a da autonomia intelectual, a condição e o papel deste, a sua inserção política. Nos anos posteriores ele angariou apoio político e eleitoral para eleger-se constituinte e deputado federal pelo PT de São Paulo. Ele contagiou política e intelectualmente jovens estudantes, bancários, professores, comerciários e agrupamentos socialistas radicais. Ao acolhermos a lembrança de Florestan Fernandes admitimos e aceitamos a necessidade de conhecê-lo melhor, de saber mais sobre suas idéias, de interrogar a sua época e a sua obra, de ler seu livro, de escutar a voz de suas esperanças e frustrações. A autora nos empresta um pouco disso tudo e essas páginas são, assim, bem-vindas e nós, após percorrê-las, lhe somos inteiramente gratos (Paulo Henrique Martinez).

Expositora

Lidiane Soares Rodrigues

Graduada, mestre e doutoranda em História - USP

Foi docente da Unesp/Campus de Assis e é professora da FECAP

Debatedores

Paulo Henrique Martinez

Graduação e doutorado em História - USP

Professor livre docente - UNESP/Campus de Assis

Bernardo Ricupero

Graduação em Ciências Sociais, mestrado e doutorado em Ciência Política - USP

Pesquisador do CEDEC e Vice-chefe do departamento de Ciência Política - USP

Luiz Carlos Jackson

Graduação, mestrado e doutorado em Sociologia - USP

Pós-doutorado em Sociologia - Universidade Nacional de Quilmes/Argentina e é Professor da USP

Mediador

Lincoln Secco

Graduação, mestrado e doutorado em História Econômica - USP

Professor livre docente - USP

PARTICIPE E CONVIDE OS SEUS AMIGOS!

Inscrições gratuitas c/ Sandra Santos pelo e-mail: ssantos@cedem.unesp.br

Data e horário: 30 de março de 2011 (quarta-feira) às 18h30

Local: CEDEM/UNESP - Centro de Documentação e Memória

Praça da Sé, 108 - 1º andar, esquina c/ Rua Benjamin Constant (metrô Sé)

(11) 3105 - 9903 - www.cedem.unesp.br

terça-feira, 8 de março de 2011

08 de Março Dia Internacional da Mulher


Todos sabem que o preconceito é um marco presente na vida da humanidade e a mulher não ficou de fora, em razão dele sofreu grandes perdas.

Ao longo da história, as mulheres estiveram sempre subjugadas às vontades dos homens, a trabalhar como serviçais, sem receber nada pelo seu trabalho ou então ganhavam um salário injusto, que não dava para sustentar sua família.

Em razão desses e tantos outros modos de discriminação contra a mulher, estas se uniram para buscar maior respeito a seus direitos, ao seu trabalho e à sua vida.

A discriminação era tão grande e séria que chegou ao ponto de operárias de uma fábrica têxtil serem queimadas vivas, presas à fábrica em que trabalhavam (em Nova Iorque) após uma manifestação onde reivindicavam melhores condições de trabalho, diminuição da carga horária de 16 para 10 horas diárias, salários iguais aos dos homens – estes chegavam a ganhar três vezes mais no exercício da mesma função.

Porém, em 8 de março de 1910, aconteceu na Dinamarca uma conferência internacional feminina, onde se discutiram os assuntos de interesse das mulheres, além de decidirem que a data seria uma homenagem àquelas mortas carbonizadas.

No governo do presidente Getúlio Vargas as coisas no Brasil tomaram outro rumo. Com a reforma da constituição, acontecida em 1932, as mulheres brasileiras ganharam os mesmos direitos trabalhistas que os homens, além de conquistarem o direito ao voto e a cargos políticos do executivo e do legislativo.

Ainda em nosso país, há poucos anos, foi aprovada a Lei Maria da Penha, como resultado da grande luta pelos direitos da mulher, garantindo bons tratos dentro de casa, para que não sejam mais espancadas por seus companheiros ou que sirvam como escravas sexuais dos mesmos.

Mas a mulher não desiste de lutar pelo seu crescimento, o dia 8 de março não é apenas marcado como uma data comemorativa, mas um dia para se firmarem discussões que visem à diminuição do preconceito, onde são discutidos assuntos que tratam da importância do papel da mulher diante da sociedade, trazendo sua importância para uma vida mais justa em todo o mundo.

Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola

sexta-feira, 4 de março de 2011

Evolutions Géopolitiques du Monde Contemporain

Convidamos a todos para a palestra "Evolutions Géopolitiques du Monde Contemporain" ministrada pelo Prof. Pascal Boniface, Diretor do Institut de Relations Internacionales et Stratégiques de Paris - IRIS. O evento ocorrerá conforme segue:
15 de Março de 2011
Terça-feira, às 19 horas
Auditório 239 (Paulo de Barros Carvalho)
2º andar - Prédio Novo
O evento será ministrado na língua francesa, com tradução simultânea para o português. Igualmente, informamos que serão emitidos certificados de participação aos presentes.
As inscrições deverão ser realizadas pelo e-mail dci-arii@pucsp.br , até o dia 14/03 (Segunda-feira).
À disposição para eventuais esclarecimentos,
Equipe DCI-ARII
Divisão de Cooperação Internacional
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
3670-8011/8098